quarta-feira, 9 de março de 2011

Sobre os jogos



Muitas pessoas acreditam ser o pôquer o jogo mais próximo das atitudes humanas e realmente estão certas. Aprender esse jogo é aprender uma estratégia de defesa. Não de ataque.Deveria ser assim.
Embora alguns jogadores acreditem que cada jogada é uma exibição de inteligência, afirmo que não é bem assim. A sagacidade fala mais alto. Ser sagaz e agir com inteligência é algo divergente, posto que, há alguns anos, estudiosos do ramo da psiquiatria perceberam que inteligência humana está longe de ser apenas lógica, ela é também emocional. Assim, o jogador de pôquer não usa inteligência, pois ela não é fria, ele usa sagacidade. Estuda não apenas as possibilidades de distribuição de cartas, mas principalmente, as emoções do seu adversário e como utilizá-las para o desestruturar.
Entender as atitudes de seu adversário não é serviço simples, requer paciência e tempo. Às vezes para se chegar a isso, é preciso perder algumas rodadas e ganhar outras, para ver como ele ( adversário) se comporta em cada momento. Como é o olhar de quem percebe que tem grandes chances de vencer... como movimenta os lábios quando consegue um royal straight flush, se bebe algo quando tem uma mão ruim, como une e abre as cartas em um momento de blefe, quando está impaciente para pegar uma carta que melhore sua mão. São muitas as observações.
Depois de conhecê-lo, vem outra atitude de igual importância: montar a estratégia.  Utilizar o comportamento do outro como suporte para sua própria jogada. Um bom jogador de pôquer é antes de tudo totalmente calculista, não tem pressa, nem demonstra emoções ao ganhar tudo ou quando percebe que está prestes a perder tudo. Ele simplesmente age dentro daquilo que estipulou como terreno conhecido, às vezes entra em uma jogada que sabe que não pode continuar, ele vai até o momento que não lhe acarreta tantos prejuízos e não se arrepende de ter deixado a mesa, muitas vezes nem espera a finalização da rodada. Ele bloqueia o que não lhe interessa mais, tira um aprendizado bloqueando o supérfluo.
            A maioria dos jogos de pôquer tem uma carta que não é utilizada: o curinga. Mas até onde isso é verdade? Não encontrei nenhuma variação de pôquer sem o curinga. Seja em forma de carta ou não. Existe um tipo desse jogo que aceita, oficialmente, o curinga quando temos uma mão de cartas iguais, pelo menos quatro cartas iguais  o curinga substitui uma quinta carta, como se fosse do mesmo tipo. E nas demais variantes ele está presente a todo momento. O curinga está presente em cada jogador, quando este mascara seu rosto em busca de maquiar suas emoções, quando permanece sorrindo diante de uma péssima mão e mantêm o mesmo sorriso quando ganha.
            Para atingir a meta de um jogo de observação e estratégia todas as atitudes descritas são válidas. Afinal, todos estão reunidos com o mesmo propósito, cientes de que serão observados e que cada palavra ou expressão deverá ser calculada, pois determina ruína ou fortuna. Mas não são todos os jogos que aceitam um curinga, ou que mantêm a jogada escondida até o último momento. Talvez, seja melhor tentarmos xadrez, no qual mostramos os movimentos ao adversário, acreditamos mais em nós mesmos e não mentimos sentimentos ( não é preciso), haverá um vencedor e um perdedor, porém ambos terão sorrisos ou lágrimas autênticas.

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