Na nossa vida passamos por momentos em que nos falta o entusiasmo do início, quando tudo era projeto, esperança e motivação, nos chega aquele instante no qual paramos e pensamos " vale a pena?". Duvidamos se o caminho foi o mais acertado, se temos cacife para realizar o projeto, se ainda há tempo para mudar a estratégia, ou até mesmo, deixar este caminho e passar para outro ( do zero, mas com a motivação em alta e com a esperança de encontrar a satisfação em cada passso). O que posso dizer, estando eu em um desses momentos, é que não podemos colocar nas mãos de ninguém as nossas escolhas, são nossa responsabilidade, assim como o efeito que cada escolha tem em nossa vida. Sempre temos escolhas, a vida nos dá muitos caminhos, o problema e saber como escolher, se através do coração ou da razão. Eu amo ensinar, me sinto muito satisfeita ao ver um aluno progredir não só em Língua Portuguesa, mas como pessoa, em uma conversa, em um conselho que me pede... Sinto-me fazendo parte de um plano bom do Universo. Contudo, a realidade das salas de aula não é apenas essa. Fiz 4 anos de graduação e mais 2 de Especialização, meu tempo em casa é mais dedicado a preparação de aulas, correção de textos, planejamentos e leituras do que para meu filho de 8 anos, com quem moro. Eu já sabia que educador trabalha muito em casa, isso não foi surpresa, a "surpresa" foi ver que as horas que passo me preparando para passar um conteúdo da melhor forma não é valorizada por 95% dos alunos ( trabalho na rede privada e pública), muitos querem obter apenas a média necessária para passar de ano, mesmo que seja a média da recuperação final. A retribuição que tenho pelas horas de preparação e pela apresentação do conteúdo, já em sala, são piadinhas, falta de educação, pouca ou nenhuma dedicação para com atividades, as quais serão meu programa no fim de semana. E para alguns colegas, como a mídia já veiculou, a violência física também se faz presente. Há também fatores extra sala, como é o caso das pesquisas sobre educação, o professor é peça chave, e muita coisa recai sobre ele. Vejamos: se o índice de desistência sobe, é o professor que não tem aulas atrativas; se cai, foi o Sistema de Eduação que ampliou o acolhimento ao alunado. Tem mais, se o filho não alcançou êxito no vestibular, foi o professor que nunca ensinou nada; se o filho passou, ele sozinho é um gênio.São poucos os que lembram "daquela aula" em que justamente aprederam o conteúdo. No início deste ano, um aluno, da rede pública , que havia prestado vestibular e passado, me procurou para agradecer pelas aulas de redação, foi muito gratificante.Mas infelizmente, os maus tratos superam em número e inrtensidade essas demonstrações de carinho e agradecimento.Eu que vivo dizendo aos meus alunos para não se contentarem com o pouco em suas vidas e procurarem sempre o melhor, procurarem sempre a satisfação e a felicidade, estou sendo de certa forma demagoga e hipócrita, pois não aplico a mim esses conselhos. Então voltemos para a questão do início do nosso texto, escolhas. Sim, eu fiz minha escolha, quis me dedicar à sala de aula, sabia que existiam entraves de todos os lados, mas mesmo assim eu quis. Faz dez anos que venho querendo.Penso nos alunos que venho acompanhando desde o 6º ano, naqueles que se tornaram amigos, que ligam sempre na noite de Natal e Ano Novo, que me falam coisas que sei que as próprias mães nem sonham, naqueles que me chamam de mãe por acompanhá-los em seus problemas e sucessos. É por eles que tento a cada dia não perder o compromisso e a responsabilidade. Porém, como um casamento marcado por muita mágoa, falta de confiança e sem esperança de dar certo, me encontro, como vários colegas,que mesmo tendo trilhado boa parte do caminho,percebendo que talvez seja hora de olhar para outras veredas e fazer uma nova história.
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